Assédio Moral ou Bullying

Se você está saindo de um dia de trabalho, pela segunda ou terceira vez, muito nervoso, com palpitações, sofrido, trêmulo, nauseento, tonto, com dor no estômago, cheio de raiva por ter sido chamado à atenção, injustamente, na frente de outros colegas, pelo seu chefe ou diretor, ou até mesmo por um colega de trabalho muito próximo a seu chefe ou diretor, cuidado! Você pode estar sendo vítima de assédio moral ou bullying, principalmente se seu emprego for da rede pública, tanto faz se das esferas federal, estadual ou municipal.
O assédio moral ou bullying, a maioria das vezes, acontece devagarzinho. No primeiro instante em que você é humilhado, afrontado psicológica ou moralmente por alguém da direção ou próximo a ela, você até pensa que, de fato, errou mesmo, que se distraiu, que se descuidou, que não deveria ter agido dessa forma. Você para e pondera a respeito do que estão dizendo a seu respeito e até se coloca como o “autor” da ação/conduta supostamente “errada”. A tendência é a de não reagir, a de evitar maiores confusões ou mesmo a de impedir ser trocado de local de trabalho ou de setor. O medo domina o empregado, que é pacífico pela sua própria condição. Por outro lado, quando você se dá conta de que já não é a primeira vez que isso acontece, que os constrangimentos vêm novamente da mesma pessoa, de forma autoritária, arbitrária, agressiva e mentirosa, você terá de questionar tal atitude e enxergar-se como mais uma “vítima” de assédio moral ou bullying. É bem assim que acontece esse ataque. Ele vem de forma sutil e por motivos diversos, a maioria deles inesperados e inexpressivos.
Conforme já foi dito, no serviço público, o assédio moral ou bullying é muito mais freqüente do que no serviço privado. Em primeiro lugar, porque não existe aquela possibilidade iminente de o funcionário ser colocado para fora do emprego. Em segundo, porque no serviço público, geralmente existem hierarquias corporativas, ou seja, as pessoas da chefia se agrupam com os mesmos objetivos: mandar de forma autoritária nos “subalternos”, trabalhar menos e ganhar as “purpurinas”, através daqueles que realmente batalham pela sobrevivência e pela excelência do tipo serviço que exercem, sobrecarregar os empregados ainda mais de tarefas inócuas, sentirem-se superiores aos outros, somente porque elas têm a titulação de um cargo (embora temporário), desconsiderando o empregado como "ser humano".
Já na rede privada, o assédio moral ou bullying acontece, na maior parte das vezes, quando o empregador quer se livrar do funcionário sem ter de despedi-lo oficialmente, ou seja, para se isentar dos encargos sociais que lhes são pertinentes. Então, melhor saída será manipular o moral dele, atacá-lo no aspecto emocional, inventando coisas que ele não fez, encontrando pretextos “furados”, a fim de que ele se sinta menosprezado por si próprio, sentindo-se uma pessoa “incapaz” de praticar tal função. Assim, o empregado não aguentará tamanha pressão exercida pelo seu chefe e/ou diretor e irá, espontaneamente, solicitar a sua demissão, com a finalidade de livrar-se do “problema” e conseguir um pouco de paz.
No serviço público, o empregado é vítima em potencial desse abuso de poder. É comum o agressor estar diretamente ligado a esse funcionário, através de um cargo eletivo, exercendo uma função dita “superior” à dele. Então, pode-se dizer que o agressor é, em última instância, um perverso, um arrogante, um perseguidor, uma pessoa com falta de reconhecimento, porque provoca o indivíduo antes de agredi-lo, a fim de colher informações a respeito de sua vida pessoal, afetiva, sentimental, familiar ou, ainda, dos seus dilemas financeiros. O agressor tem como foco aquele funcionário que ele inveja ou que lhe passa alguma idéia de ameaça profissional ou pessoal, usando em intrigas, fofocas e em situações forjadas, as informações capturadas por ele mesmo ou por um de seus “discípulos”. O agressor manipula todo esse conteúdo aprisionado, para depois usá-lo a fim de difamá-lo, caluniá-lo, agredi-lo verbalmente, constrangê-lo perante outras pessoas ou pressioná-lo em um setor/departamento bem fechado, ficando a situação velada de testemunhas. Para se sentir mais protegido, o agressor comumente está acompanhado de outro colega de direção ou de trabalho, o tal “discípulo-puxa-saco”, que, depois do feito, irá tripudiar ao seu lado as reações expressas (mal-estar, indignação, tristeza, choro, etc.) pela pessoa ofendida.
Segundo a cartilha Assédio Moral: a microviolência do cotidiano (2007), “o importante, para a configuração do assédio moral, é a presença de conduta que vise a humilhar, ridicularizar, menosprezar, inferiorizar, rebaixar, ofender o trabalhador, causando-lhe sofrimento psíquico e físico”. Isso prova que o assédio moral ou bullying compromete a saúde do ambiente de trabalho e a do empregado insultado de forma direta, pois ele terá sua identidade, sua dignidade, suas relações afetivas e sociais e, principalmente, seu equilíbrio físico e mental totalmente abalados. Em face disso, o trabalhador poderá passar a sofrer de depressão, angústia, palpitações, estresses, crises de pânico, mal-estar físico e mental de todas as ordens, ou até mesmo vir a cometer o suicídio.
O que fazer diante dessa situação? Bem, é necessário, segundo consta na cartilha Assédio Moral: a microviolência do cotidiano (2007, p. 09) que:
a primeira coisa a fazer é anotar tudo o que acontece, fazer um registro diário e detalhado do dia-a-dia do trabalho, procurando, ao máximo, coletar e guardar provas do assédio (bilhetes do assediador, documentos que mostrem o repasse de tarefas impossíveis de serem cumpridas ou inúteis, documentos que provem a perda de vantagens ou de postos, etc). Além disso, procurar conversar com o agressor sempre na presença de testemunhas, como um colega de confiança ou mesmo um integrante do sindicato. É importante também reforçar a solidariedade no local de trabalho, como forma de coibir o agressor, criando uma rede de resistência às condutas de assédio moral.
Portanto, não podemos e não devemos ficar quietos diante de tal violação dos direitos humanos, que atropela as nossas conquistas garantidas pela Constituição Federal. Indubitavelmente, o assédio moral ou bullying, se constatado em qualquer local de trabalho, constitui-se em crime previsto em Lei e em Projetos de Lei, que tramitam no Congresso Nacional. A esse tipo de violência cabem ações de indenização moral ou material por parte do agredido, que deverá apresentar o ônus da prova, em relação ao seu agressor, com a aplicação a este de penas justificáveis pelo seu grau de golpeamento na sua auto-estima, pelos danos psicológicos, morais ou materiais causados ao mesmo, ou ainda em função da perda do emprego deste ou por ele não apresentar mais condições de saúde para o trabalho. Devemos reagir para pôr fim ao assédio moral ou bullying, que atinge pessoas do mundo inteiro, muitas vezes, de forma obscura, impedindo o direito de sua defesa. É preciso combater o assédio moral ou bullying, denunciando-o. ASSÉDIO MORAL É CRIME!

Tânia Marques 07/07/09

Bibliografia consultada:
SPACIL, Daiane Rodrigues; RAMBO, Luciana Inês e VAGNER, José Luis. Assédio Moral: a microviolência do cotidiano. Brasília: Cartilha, 2007.
Fonte da imagem:
(Google-pesquisa-imagens)

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